Mercado de motos mantém baixa

O mercado de motos no Brasil registrou queda de 7,1% na produção, no terceiro trimestre desse ano, ante o mesmo período do ano passado. O cálculo é da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) divulgado hoje (7/10), em São Paulo. Apesar da queda no mercado geral registrada sequencialmente desde 2012, a produção e vendas de scooters e motos acima de 450 cilindradas segue em alta.

“O mercado como um todo encolheu, enquanto os segmentos acima de 450 cc e scooters cresceram”, disse o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian. De acordo com o levantamento da Abraciclo, os scooters chegaram à marca de a 31.267 unidades vendidas no primeiro semestre desse ano, o que represente alta de 35,4%, comparado às 23.088 unidades comercializadas no primeiro semestre de 2013. Já nas motos de média e alta cilindrada foram vendidas 38.533 unidades no período analisado – crescimento de 9,8% em relação às 35.087 unidades do mesmo período de 2013.

Para o presidente da Associação, o maior elemento repressor das vendas de motos hoje, fundamentalmente para as de baixa cilindradas que representam a esmagadora maioria no Brasil é a falta de crédito. “De cada 10 propostas de financiamento para motos, 6 ou 7 são recusadas, ou seja, existe muita gente interessada em comprar motos. Se conseguirmos encontrar um mecanismo para concretizar estas compras, o mercado tem muito a crescer”, diz Fermanian.

O trimestre

A indústria de motocicletas, segundo a Abraciclo, seguiu apresentando dados retraídos de produção, vendas e exportação no penúltimo trimestre do ano. Segundo a Associação, a queda de 7,1% frente ao terceiro trimestre de 2013 representou a fabricação de 393.085 motocicletas ante 423.258 no mesmo período do ano passado. No acumulado do ano (janeiro a setembro) a queda registrada foi de 8%, passando de 1.263.203 (2013) para 1.162.698 (2014).
As vendas no atacado apresentaram recuo de 7,6% frente a 2013. De julho a setembro foram comercializadas 350.598 unidades para as redes de concessionárias, ante 379.308 no mesmo período do ano passado. Já no acumulado, o decréscimo foi de 10,7%, com 1.195.770 motocicletas ante 1.067.382, em 2014.

Pelo levantamento, as exportações também registraram baixas. O terceiro trimestre de 2014 somou 26.124 motocicletas comercializadas ao mercado externo, volume 17,5% inferior em relação às 31.676 do mesmo período de 2013. No acumulado de janeiro a setembro do presente ano foram exportadas 71.543 unidades, correspondendo a uma queda de 6,4% frente a igual período de 2013, que havia totalizado 76.453.

Setembro

Seguindo a tendência verificada nos meses anteriores, setembro apresentou queda em todos os indicadores do segmento de motocicletas.
Foram produzidas 127.813 unidades em setembro, ante 129.768 fabricadas em agosto, o que representa uma redução de 1,5%. Em comparação com setembro de 2013 (150.731), a queda chegou a 15,2%.

As vendas no atacado, que em agosto haviam somado 120.936 motocicletas, recuaram 3,6%, ficando em 116.639 no mês passado. O volume é 18,8% menor que o registrado em setembro de 2013 (143.570).

Para a exportação o cenário não foi diferente. O recuo apresentado foi de 4,8% na comparação mensal, passando de 9.530 unidades, em agosto, para 9.075, em setembro. Em comparação com setembro de 2013 (8.169), no entanto, houve evolução de 11,1%.

Média diária e projeções

No varejo, a média diária de vendas de motocicletas cresceu 2,8% entre agosto (21 dias úteis) e setembro (22 dias úteis), passando de 5.300 para 5.445 unidades. Porém, quando comparada à média diária do mesmo mês de 2013 (5.607 unidades/dia em mês com 21 dias úteis), verifica-se um declínio de 2,9%.

No acumulado do ano (janeiro a setembro), as vendas no varejo desaceleraram 5,3%, considerando as 1.129.282 motocicletas comercializadas em 2013, ante 1.069.714, em 2014. Já na comparação de setembro (119.793) com agosto (111.291), houve uma alta de 7,6%. Em relação ao volume do mesmo mês de 2013 (117.754), as vendas do mês passado cresceram 1,7%.

“Ficamos abaixo da média diária de vendas de 6 mil unidades, que era prevista para o período pós Copa do Mundo. Diante disso, revisamos as projeções de fechamento de 2014, passando a considerar uma produção total de 1.550.000 unidades, vendas no atacado de 1.460.000, varejo com 1.440.000 e exportações de 90 mil. Estas novas projeções indicam que, em comparação com 2013, teremos retrações de 7,4% na produção, 8,3% no atacado, 5% no varejo e 15% nas exportações”, afirma Fermanian.

Para detalhes dos levantamentos da Abraciclo em PDF

Clique AQUI para o balanço 2014

Clique AQUI para a produção em 2014

Clique AQUI para vendas no atacado em 2014

-Imagens: divulgação-

3 comentários em “Mercado de motos mantém baixa

  1. É absurdo o preço cobrado nas peças originais, nisso só ajuda a proliferar os roubos e mortes pelas ruas. É a ganancia do empresários em ter enormes lucros e a robalheira oficializada dos impostos.
    Nesse ponto este é um pais de merda.

  2. não somente extremamente caro, ilógico: além da 150cc de R$9.000, os carros também exorbitantes, como renault rcz de R$ 140.000, veloster R$ 70.000…Manutenção, idem.Deveria sempre relacionar com o salário mínimo, é na renda que se realiza um sonho, e com ela se mantém.

  3. Será que nenhum dos doutos dirigentes é capaz de considerar que a retração do mercado se deve aos preços estratosféricos das motocicletas e – pior ainda – das peças originais de reposição? Paga-se mais de R$ 9.000,00 por uma motocicleta (ou simples meio de transporte, se preferirem) de motor monocilíndrico e penas 150 cm3. Não lhes parece que o principal motivo está aí? O que pode explicar que um simples amortecedor traseiro de uma Honda Twister CBX 250 cute mais de mil reais? É fabricado em Marte? reconheço que algumas peças já têm preços menos exorbitantes, mas a maioria é totalmente fora de qualquer lógica. É uma agressão ao cliente/consumidor.

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