Morte no SuperBike Brasil

Atualizado em 20/10. Leia abaixo nota da organização do SuperBike sobre o acidente e a prova.

O piloto João Carlos Sobreira (32), o Joãozinho Treze (#113), Mobil Ituran Racing, morreu em um acidente durante a 6ª etapa do SuperBike Brasil, no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia (GO). Com a morte, a competição, que valeria pontos para o campeonato, foi cancelada.

Ele passou reto na curva 1 depois de completadas duas voltas da segunda bateria da categoria SuperBike, não teve reação e bateu forte. Foi atendido pela unidade móvel no local e removido para o Hospital de Urgências de Goiânia (HUGO), que fica ao lado do autódromo, mas não resistiu aos ferimentos e veio a falecer.

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“A organização do SuperBike Brasil lamenta muito esta perda. Os pilotos, ao ficarem sabendo da triste notícia, fizeram uma homenagem ao amigo Joãozinho Treze. A família SuperBike Brasil está em profundo luto, e segue prestando todo o suporte e enviando força à família e aos amigos”, informou a organização em comunicado.

Vencedor

Danilo Lewis (#17), da equipe Tecfil Racing Team, foi o vencedor da 6ª etapa da SuperBike. Ele venceu a primeira bateria. Na segunda, com o acidente de Joãozinho Treze logo na segunda volta, a etapa ficou quase todo o tempo sob o procedimento de segurança. Faltando quatro voltas para o final, a pista foi liberada e ele ganhou também a segunda bateria, vencendo a categoria principal da disputa.

Vídeo amador mostra o acidente:

Reprodução da TV Mais Goiás

Nota de esclarecimento

Diante de críticas pela morte do piloto, a organização do SuperBike Brasil emitiu, hoje (20/10), nota com seus esclarecimentos sobre o acidente e a prova. Leia o texto na íntegra abaixo:

“A organização do SuperBike Brasil, com o intuito de esclarecer, emite essa nota de esclarecimento com informações técnicas relacionadas ao acidente com o piloto da categoria SuperBike: João Carlos Sobreira ‘Joãozinho Treze’.

Do atendimento, sinalização e direção de prova

Antes de tudo, vale ressaltar que o SuperBike tem como Diretor de Prova e Assistente Desportivo a dupla mais experiente e respeitada do país. Marcus Oliveira – Tucano e Donato Curi atuam juntos há mais de 20 anos e conduzem as principais corridas do país, inclusive com inúmeras participações em etapas de mundiais com reconhecida capacitação. Não existiriam melhores profissionais para conduzir tal operação.

No momento do acidente e reconhecendo a gravidade, a Direção de Prova colocou a corrida sob condição de Segurança ou Safety. No universo dos carros, o também chamado Safety Car (entretanto nas motos não entra carro ou moto madrinha).

O procedimento de safety faz parte dos protocolos internacionais. Ele preconiza que todos os pilotos não acelerem, se reagrupem, não se ultrapassem e andem 50% mais lento em relação ao seu ritmo normal.

Seja com bandeira vermelha, que é a paralisação da prova, ou com procedimento de safety, apenas quando todas as motos param (quando bandeira vermelha) ou quando todas as motos passam pelo trecho do acidente, que os veículos de socorro podem cruzar e entrar na pista. Esse protocolo é tido como um dos mais importantes, já que o risco de uma moto se chocar com um carro de serviço é grande.

Neste domingo, assistimos o procedimento de segurança ser implantado e a ambulância aguardar a última moto passar para cruzar a pista. O mesmo aconteceria no caso de “bandeira vermelha”.

A curva do acidente é a curva após a reta principal (largada). Quando os pilotos do pelotão da frente cruzaram e abriram a volta três, Joãozinho era um deles, houve o acidente. Imediatamente a direção de prova entrou com o procedimento de safety. Como dito no parágrafo acima, o protocolo versa que a ambulância só pode cruzar a pista assim que a última motocicleta passar, o que nesse caso, teria ocorrido mesmo com bandeira vermelha, pois eram quase 20 motos na corrida.

O atendimento que se seguiu foi rápido e capacitado, como todos os envolvidos preparados para atendimento de Traumas, através dos protocolos internacionais Suporte Avançado de Vida no Trauma, tradução do inglês Advanced Trauma Life Support (ATLS), como a ficha técnica dos profissionais pode apontar. O SuperBike Brasil apenas contrata profissionais com tais certificações.

Removido para o hospital de referência de Goiânia para traumas, Hospital de Urgências de Goiânia – HUGO, Joãozinho recebeu atendimento nos 40 minutos seguintes e não resistiu aos ferimentos.

Das proteções

O SuperBike Brasil é o único campeonato de motos do país que tem suas próprias barreiras de ar, usadas em todas as provas. Tratam-se de Air Bags gigantes, que medem 2m de altura e 8m de largura cada módulo. O SuperBike Brasil tem dez módulos, totalizando 80 metros lineares. Outros 30 módulos devem ser entregues em breve.

Tais barreiras tem o propósito de absorver parte do impacto, entretanto sob condições especificas. Elas não foram encomendadas hoje. Há tempo a organização vem implementando procedimentos para melhorar a segurança dos pilotos e não esperou que acontecesse um acidente fatal para que alguma providência fosse tomada. É valido ressaltar que o SuperBike é um campeonato feito por pilotos, para pilotos, grupo o qual Joãozinho fazia parte das decisões.

Em Goiânia, após uma ponderação dos próprios pilotos, Joãozinho incluído, por ser participante da categoria principal, experiente e participante da organização, optou-se por colocar as barreiras de proteção na curva mais perigosa do circuito, que é a aproximação para o S, onde a área de escape é 15x menor do que no final da reta.

No final da reta as motos chegam a 280km e tem seu ponto de frenagem a 350m do final da área de escape. Já na aproximação do S, as motos chegam a 240km e apenas 90m os separam de um guard-rail. Dessa forma, os bolsões foram posicionados nesse local.

Vale ressaltar que ainda existem mais áreas de contato possíveis no circuito. Ainda assim, para os padrões brasileiros, Goiânia está entre os mais seguros.

Somos o único evento a operar com proteções em todos os circuitos. Reconhecemos que mais proteções são necessárias e estamos investindo, como falado acima, mais 30 barreiras estão em processo de importação.

Ainda assim, as barreiras são projetadas para complementar a proteção dos circuitos, os quais sem mudanças jamais ofereceram segurança plena aos motociclistas.

O padrão mundial de segurança preconiza:

1 – Área de escape em todas as curvas e também nas retas
2 – Marcação clara do final da pista
3 – Existência de área extra de desaceleração de asfalto*
4 – Após a área de asfalto, complementar brita de especificação adequada para a moto e o piloto*
5 – E por último, barreiras de AR que tem por finalidade protegerem o piloto caso ele supere todas as outras instancias listadas

* indica que o tamanho dessas áreas é determinado por uma métrica, que considera as velocidades de aproximação para cada trecho, resultando em áreas maiores ou menores.
No Brasil, nenhum autódromo atende a esses padrões e dessa forma nos confrontamos com a inexistência de áreas de escape ou áreas de escape formadas por asfalto e grama, às vezes pequenas, outras vezes muito pequenas. Nessas condições, as barreiras de ar não podem e não poderão garantir total eficiência.
Em geral os pilotos não chegam a atingir os ‘colchões’ de ar. Quando ocorre, apenas o piloto chega às barreiras, sem as motos. Pelo menos é para isso que os ‘colchões’ são projetados.
Em caso de choque com a moto ela tende a estourar as bolsas e anular o amortecimento proposto ao piloto.
A organização do SuperBike Brasil está à disposição, através de sua assessoria de imprensa, para dúvidas ou novos esclarecimentos.
A família SuperBike Brasil está em profundo luto, e segue prestando todo o suporte e enviando força à família e aos amigos.”

-Informações e imagens: divulgação-

3 comentários em “Morte no SuperBike Brasil

  1. Fatalidade?
    Ossos do ofício??
    Um guard-rail (barreira de aço) no final da maior reta do circuito mudou de nome???
    Uma longo trecho reto onde as motos chegam a 280km/h e a direção da prova acha que os air bags são mais importantes em outros locais, francamente!
    Eu ando de moto há quase quarenta anos e acho que tenho muito o que aprender; mas o pouco que eu vi naquela curva é suficiente para afirmar que não podia jamais haver um paredão metálico no final de uma grande reta!
    Se os tais air-bags são caros, importados, difíceis de encomendar, poderiam ser usados pneus velhos, fardos de feno, caixa de areia, qualquer coisa! QUALQUER outra coisa que pudesse frear aquela moto e salvar a vida do piloto. Eu estou indignado, uma morte totalmente evitável.
    Essa nota de esclarecimento da organização do Super Bike é uma enganação; usaram oito parágrafos para explicar o que foi feito depois da tragédia. No entanto, gastaram apenas um parágrafo para dizer que usaram dez barreiras onde deveriam ter quarenta. E a parede de aço estava lá, esperando alguém passar direto para ter sua vida ceifada pela incompetência de uma meia dúzia de supostos especialistas!!

  2. INFELIZMENTE SÃO OSSOS DO OFICIO, PODERIA SER QUALQUER UM , É UM ESPORTE LINDO ATRAENTE, POREM DE MUITO RISCO E VALE SEMPRE A MAXIMA DE QUE COM AS PROTEÇÕES O ACIDENTE PODE FICAR MENOS GRAVE. QUE PENA PERDEMOS UMA OTIMA PESSOA E UM OTIMO PILOTO.PAULO -TOMAZ, MOTOCICLISTA A 40 ANOS-RIO GRANDE -RS

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