Teste: Royal Enfield Himalayan 410

São Paulo (SP) – A Royal Enfield Himalayan 410 é a novidade surpreendente no mercado brasileiro de modelos trail para uso urbano, rodoviário e fora de estrada. Honesta e valente, a moto chama a atenção pela simplicidade mecânica aliada às novas tecnologias como injeção eletrônica e ABS, além do preço sugerido de R$ 18.990. A primeira impressão, no test ride promovido pela marca para a imprensa especializada, destaca como pontos positivos a baixa vibração do motor e o banco bipartido bastante confortável.

O banco, com altura de 80 cm do solo, transmite segurança para o piloto e, aparentemente, é possível percorrer pelo menos 400 km ininterruptos em estradas. Espaço para garupa também é aparentemente confortável pois, apesar de reto, o banco conta com o anteparo na estrutura (bagageiro) que “segura” a pessoa na moto. É comum que os espaços para garupa retos ou acompanhando o paralama como nos modelos custom “joguem” a pessoa para fora do banco durante o movimento causando desconforto.

O peso em ordem de marcha de 192 quilos, com pneus de uso misto e calibragem inferior ao recomendado utilizada para o test ride – para privilegiar a pilotagem na terra -, deixaram o modelo mais pesado nas mudanças bruscas de direção no asfalto. No off-road, seguiu bem na trilha de estrada de terra baseado nas suspensões com garfo telescópico na dianteira com tubos de 41 mm e 200 mm de curso e amortecedor central com link de 180 mm de curso e regulagem da pré-carga da mola, na traseira.

Para iniciantes, pneus de uso misto são difíceis de lidar no off-road intenso, já que também devem atuar na estrada de terra e no asfalto. Naquele caso, a condução depende mais da perícia do piloto que da capacidade da moto de enfrentar o terreno íngreme, esburacado e cheio de lama. São dois paralamas, um junto ao farol e outro bem justo ao pneu dianteiro. Esse não tem ajustes, mas dá para levantar com uso de espaçadores, em uma solução caseira. O test ride não ofereceu lama suficiente para acumular entre o pneu e o paralama inferior dianteiro para observar se isso poderia afetar o desempenho.

O câmbio, de cinco marchas, tem engates suaves e bastante precisos. No test ride, houve dois relatos de “falso neutro”, quando a luz do neutro está acesa mas a moto, engatada, movimenta-se ao soltar a embreagem. O freio conta ABS nas duas rodas com discos de 300 mm na dianteira e 240 mm na traseira. O traseiro travou pisando com força no pedal duas vezes na terra e uma no asfalto. O ABS não tem programação para ser desligado, mas, acompanhando a mecânica simples das Royal Enfield, pode ser suspenso retirando-se o fusível do sistema.

O design é como a opção de cores da moto: branco ou preto. Ou você gosta ou não. Tem estilo quadrado bastante robusto com predominância das linhas retas e farol redondo projetado para frente em oposição às linhas angulosas e agressivas dos modelos japoneses que o brasileiro está acostumado a ver nas ruas. Mas levando-se em consideração o estilo único e clássico da Himalayan, é uma bela moto.

O painel tem desenho interessantes com conta-giros, marcador de combustível e velocímetro analógicos. Um display digital dentro do velocímetro mostra hodômetro total e parcial, relógio, temperatura ambiente e indicador de marcha. Nas luzes-espia, advertência da bateria, injeção eletrônica do motor, luz alta, neutro e ABS. Tem ainda uma bússola digital.

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A velocidade final, em rodovias, chegou a 130 km/h a 6 mil giros, no limite da velocidade final e já fora do conforto de vibração na velocidade de 120 km/h a 6 mil giros. O corte do motor monocilíndrico refrigerado a ar de 411 cc que gera 25 cv de potência máxima a 6.500 rpm e 3,26 kgfm a 4.500 rpm acontece nos 7 mil giros. Isso ajuda na economia de combustível, mas não empolga nas retomadas de velocidade. O tanque tem capacidade para até 15 litros. Aparentemente, no test ride, a moto gastou quase meio tanque depois de 122 quilômetros percorridos em terra e principalmente rodovias asfaltadas com trechos de serra. O consumo médio, declara a empresa, é de 28 km/l.

Essa velocidade final, segundo Claudio Giusti, diretor geral da Royal Enfield no Brasil, faz parte da característica da marca. De acordo com ele, a moto não é um modelo para quem quer velocidade acima do permitido pela legislação nas estradas, É sim, de acordo com o diretor, voltada para o moto purismo, o passeio prazeroso nas estradas e para a eficiência na terra.

A Himalayan é o start não somente da expansão da Royal Enfield no Brasil, como já foi anunciado. Até o final de 2019, a marca quer chegar presencialmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, em cidades como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília e Curitiba, além de mais lojas em São Paulo. O projeto da indiana para o Brasil é ter uma operação de montagem das motos no País. Hoje, todos os modelos são importados da Índia.

Clique – AQUI – para abrir um PDF com a ficha técnica do modelo

Vídeo sobre o test ride promovido pela montadora para a imprensa especializada, em São Paulo

-Informações e imagens: MotoMovimento/Royal Enfield-

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