Acidente e morte do GP 1000

Um acidente neste sábado (25) em Curitiba tirou a vida do piloto paranaense Daniel Lenzi, 34 anos. Ele disputava a categoria GP 1000 do Moto 1000 GP pela equipe Grinjets e sofreu um acidente no quarto e último treino livre para a sexta etapa da temporada de 2014, no Autódromo Internacional de Curitiba, em Pinhais. O piloto foi socorrido com vida ao Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba, onde o óbito foi confirmado às 14h30.

O acidente de Lenzi ocorreu no início da tarde. Na entrada da curva do Pinheirinho, um toque lateral com o paulista Nick Iatauro fez com que o paranaense saísse da pista e fosse arremessado contra o guard-rail. “Foi um acidente em um lugar inabitual para saídas de pista, numa tarde com ótima condição de pista e visibilidade normal”, observou o diretor de prova Domingos Oliveira Júnior.

O treino foi imediatamente paralisado com bandeira vermelha. “Levamos poucos segundos para chegar ao local do acidente”, contou o doutor Carlos Wahle, chefe da equipe médica do Moto 1000 GP. “Encontramos o piloto em decúbito ventral (de bruços) e com grande sangramento. O piloto foi imobilizado, entubado e transferido com vida ao hospital. Todo o procedimento, incluindo o trajeto até hospital, levou dez minutos”, narrou.

No Hospital Marcelino Champagnat, Lenzi foi entregue à equipe médica chefiada pela doutora Carine Psendeiur, que é composta por 12 profissionais entre médicos, enfermeiros, socorristas e técnicos. “O primeiro diagnóstico, que fizemos ainda na ambulância, foi de trauma das vias áreas, trauma da base do crânio e de face”, detalhou o doutor Wahle. A morte de Lenzi deu tom formal de luto ao GP Curitiba, sexta etapa da temporada de 2014.

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“Nós perdemos mais que um piloto. Perdemos um grande amigo, um dos sorrisos mais alegres do nosso evento”, lamentou o diretor do Moto 1000 GP, Gilson Scudeler. “Daniel era cordial e prestativo, amigo de todos, sempre disposto a colaborar no que fosse necessário, sempre trazia um astral muito bom para o ambiente do campeonato”, atribuiu. “O evento está de luto, não teremos nenhum procedimento festivo”, antecipou.

Campeão da Copa Mercosul em 2010, Lenzi atuava no Moto 1000 GP desde 2012. Terminou o campeonato de estreia em 21º, tendo a nona posição na etapa de Curitiba como melhor resultado. No ano passado, marcou pontos em sete das oito corridas e finalizou a temporada em 12º lugar, conquistando uma sétima posição na etapa de Campo Grande. Ele havia apontado o GP Curitiba como oportunidade de pontuar pela segunda vez em 2014.

Os resultados da competição

O paranaense Wesley Gutierrez conquistou neste domingo (26) a vitória no GP Curitiba, sexta e antepenúltima etapa da categoria GP 1000, a principal do Moto 1000 GP. Com o resultado no Autódromo Internacional de Curitiba, em Pinhais (PR), o piloto da Motonil Motors-PDV Brasil assumiu a liderança do Campeonato Brasileiro de Motovelocidade, com cinco pontos de vantagem sobre o francês Matthieu Lussiana, agora vice-líder.

É a primeira vez que um piloto brasileiro ocupa a liderança da principal categoria do Moto 1000 GP na temporada de 2014. O resultado da prova só foi definido na penúltima volta, quando Lussiana, líder desde a largada, sofreu um acidente e abandonou a prova. Companheiro de equipe de Gutierrez, o paulista Danilo Lewis consolidou a dobradinha consolidando na linha de chegada sua ultrapassagem sobre o argentino Marco Solorza.

A vantagem de Lewis sobre Solorza foi de seis milésimos de segundo. O português Miguel Praia, da Center Moto Racing Team, e o paranaense Diego Faustino, do Team Suzuki-PRT, completaram o pódio do GP Curitiba, que não teve comemoração. A cerimônia contida de premiação deu-se em homenagem ao piloto paranaense Daniel Lenzi, que perdeu a vida após um acidente sofrido durante os treinos livres de sábado (25) em Curitiba.

Gutierrez, que alcançou o topo do pódio pela primeira vez em Cascavel, na quarta etapa da temporada, chegou aos 99 pontos. Lussiana soma 94. Lewis ganhou duas posições na tabela de pontos e agora é o terceiro, com 72, quatro à frente de Praia, o quarto, e com nove de vantagem sobre Luciano Ribodino, bicampeão do Moto 1000 GP, que era terceiro e abandonou o GP Curitiba com problemas nos freios da moto da Aclat Racing.

A estratégia de Gutierrez para a atuação na etapa curitibana priorizava a busca de pontos no campeonato. “Fiz um começo de corrida com muita cautela pensando no campeonato, sabia que não podia assumir o risco de uma queda, por exemplo”, ilustrou. “Dei meu máximo do meio da corrida para frente, estava buscando o Matthieu. Infelizmente ele caiu, a gente estava em um ritmo forte, mas estou muito contente com a vitória e a liderança”, continuou.

Lewis dedicou o segundo lugar, seu melhor resultado no Moto 1000 GP, a Daniel Lenzi. “Era um colega de pista que eu admirava. Tudo que aconteceu no fim de semana aqui mexeu muito com a gente, mas procurei manter o foco na corrida. Eu estava tentando encaixar uma boa largada a temporada inteira, mas sempre tinha de vir recuperando. Hoje larguei bem, minha moto tinha um bom set up. Consegui o segundo lugar no último metro de corrida”, frisou.

A corrida

Dada a largada, o pole position Diego Pierluigi caiu para o quarto lugar, enquanto Matthieu Lussiana contornou a primeira curva como líder, à frente de Wesley Gutierrez, que saltou de quinto no grid para segundo na prova. Ainda na primeira volta, Pierluigi superou Diego Faustino para assumir o terceiro lugar na corrida. A vantagem do líder francês sobre o vice-líder brasileiro ao término da primeira volta já era superior a um segundo.

Faustino voltou a ultrapassar Pierluigi na abertura da terceira volta, no S de baixa velocidade ao fim da reta dos boxes. O novo revide do argentino veio duas curvas depois. A disputa permitiu que o paulista Danilo Lewis, quinto, e o argentino Marco Solorza, sexto, e o português Miguel Praia, sétimo, também se aproximassem. Pierluigi perdeu rendimento na abertura da quarta volta, no S de baixa, e caiu para a sétima posição.

Enquanto o primeiro pelotão abria a quinta volta, Alan Douglas parava nos boxes e abandonava a corrida, sem suportar as dores das contusões que sofreu no sábado (25), em uma queda durante a programação de treinos livres. Luciano Ribodino, bicampeão, também abandonava, com problemas nos freios. Douglas Figueiredo, que ocupava a 11ª colocação, saiu da pista, levou alguns instantes para reacionar o motor da moto e caiu para último.

Depois de cinco voltas foi a vez de Pierluigi tomar o caminho dos boxes para abandonar o GP Curitiba com problemas na alimentação de sua injeção de combustível. Nico Ferreira, enquanto isso, enfrentava queda de rendimento e perdia a oitava posição para Renato Andreghetto. A abertura da nona volta foi marcada pelo avanço de Solorza, que ultrapassou Lewis pelo lado externo da pista ao fim da reta dos boxes para assumir a quarta posição.

Na volta seguinte, Solorza repetiu a manobra no mesmo ponto da pista e superou Faustino para ser terceiro colocado. Na 12ª volta, a pressão de Lewis sobre Faustino também surtiu efeito e o paulista conseguiu a ultrapassagem na curva do Pinheirinho, para ser quarto colocado. Na 14ª volta foi a vez de Praia superar o paranaense, que tinha seu desempenho comprometido pelas dores decorrentes de uma queda nos treinos extraoficiais da quarta-feira (22).

Líder de ponta a ponta, Lussiana já administrava sua vantagem, que se aproximou dos cinco segundos. Gutierrez imprimia um ritmo forte na tentativa de se aproximar do francês. A duas voltas do fim, a diferença era de pouco mais que dois segundos. Foi quando o francês perdeu o controle da moto no S de alta velocidade, saiu da pista e caiu – sua moto capotou várias vezes e parou atrás da proteção de pneus, parcialmente destruída.

Gutierrez assumiu a liderança da corrida a uma volta e meia do fim da corrida e acelerou para sua segunda vitória no ano. A comemoração da Motonil Motors-PDV Brasil tornou-se ainda maior com a ultrapassagem feita por Lewis sobre Solorza nos metros finais da corrida, que valeu-lhe o segundo lugar e a dobradinha da equipe comandada pelos irmãos Nivaldo e Fábio Buzo. O pódio do GP Curitiba contou ainda com Solorza, Praia e Faustino.

MOTO 1000 GP – GP CURITIBA/GP 1000

(Resultado final da corrida após 18 voltas)
1º) Wesley Gutierrez (PR/Kawasaki), Motonil Motors-PDV Brasil, 24min34s938
2º) Danilo Lewis (SP/Kawasaki), Motonil Motors-PDV Brasil, a 4s270
3º) Marco Solorza (ARG/Kawasaki), Solorza Competition, a 4s276
4º) Miguel Praia (POR/Honda), Center Moto Racing Team, a 6s871
5º) Diego Faustino (PR/Suzuki), Team Suzuki-PRT, a 11s762
6º) Victor Moura (PR/BMW), M2B Racing, a 33s346
7º) Renato Andreghetto (SP/Suzuki), Team Suzuki-PRT, a 34s942
8º) Sergio Fasci (ARG/Yamaha), MGBikes Yamaha Racing, a 1min12s951
9º) Nico Ferreira (ESP/Kawasaki), Aclat Racing, a 1min16s175
10º) Philippe Thiriet (MG/Kawasaki), Motonil Motors-PDV Brasil, a 1 volta

Não completaram

Matthieu Lussiana (FRA/BMW), Petronas Alex Barros Racing, a 2 voltas
Marcos Salles (PR/Honda), Competizione Racing Team, a 10 voltas
Diego Pierluigi (ARG/Kawasaki), JC Racing Team, a 13 voltas
Douglas Figueiredo (SP/BMW), BMW Motorrad Alex Barros Racing, a 14 voltas
Luciano Ribodino (ARG/Kawasaki), Aclat Racing, a 15 voltas
Alan Douglas (PR/Suzuki), Team Suzuki-PRT, a 17 voltas

Não largaram

Nick Iatauro (SP/Suzuki), Team Suzuki-PRT
Melhor volta: Lussiana, na 4ª, 1min20s431, média de 165,383 km/h

-Imagens e informações: divulgação-

2 comentários em “Acidente e morte do GP 1000

  1. PROFUNDAMENTE LAMENTÁVEL , MAS PENSO QUE FAZ PARTE DO ESPORTE, EMBORA COM TODA A GAMA DE PROTEÇAÕ, É ARRISCADO AO EXTREMO, GOSTO DE VA´RIOS ESPORTES COM MOTOS, PRATICO TRILHAS COM MEU FILHO E SEMPRE SAIMOS EQUIPADOS E COM CAUTELA, EMFIM QUE ESTEJA BEM O PILOTO ONDE ESTIVER-VALEU-PAULO TOMÁZ-RIO GRANDE-RS

  2. Eu pessoalmente não assisti, mas sou grande admirador de corridas e das motos esportivas; principalmente as de velocidade. Telespectador costumaz da época de Kenny Roberts, grande fã de Rossi…Sinceramente, hoje o grande piloto é o Mark Marques: uma tocada agressiva e violenta para com colegas da mesma profissão. Uma coisa é ter preparo suficiente para autocontrole em situações extremas, levar no braço, mesmo. Outro, é querer levar na marra inconsequentemente. Já ouvi no meio de pilotos, que passaram situações desagradáveis e com tremendo risco de vida, de que fulano de tal fez isto e aquilo, e foi por pura maldade. Em momento oportuno, daria o troco, mas em situação que custaria pelo menos uma cadeira de rodas. É, leitores, a boa fase da curtição não existe mais nesse meio. Que Deus o tenha.

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